Nós, brasileiras, destruidoras de lares?

Agora posso dizer que já senti, ao menos uma amostra, o que é ser alvo de preconceito.
A história que vou contar, que hoje é motivo de boas risadas, me deixou transtornada no dia em que tomou cena.

Estávamos em Boston, no restaurante do hotel Marriot, examinando alegremente o buffet de café da manhã. A cozinheira veio nos receber e mostrar as opções e, percebendo que éramos brasileiros, inicia a conversa em português. Naturalmente, perguntei se também era brasileira. E a novela se inicia:

- Ela: EEEEEEEUU? BRASILEIRA???? Nããããããooooooo....!! De jeito algum!!!! (dá uns passinhos para trás e continua dramaticamente)...Não, não, não!

- Eu, um tanto pasma: ...calma! Nós somos brasileiros....isso não é tão ruim...

- Ela: É!!!!! É ruim SIM!!!! Muito ruim! Não, não sou brasileira...sou portuguesa! Tenho trauma de brasileiros... não, não...

Minha primeira reação foi baixar a cabeça um tanto chocada e tentar saborear um café da manhã já bem amargo, sem perceber que ela continuava resmungando para o meu marido.
Ao retornar à mesa, o André me esclareceu o motivo de tanta revolta, acreditando que fosse me tranquilizar:

- Relaxa, o problema não são os brasileiros. São as BRASILEIRAS, que roubam os maridos das famílias portuguesas  e destróem casamentos de anos... parece que aconteceu com um casal de amigos dela...

Nesse momento, senti o sangue subindo pela cabeça e a fumacinha saindo de meus ouvidos. Fiquei completamente transtornada. Falar para o meu marido que sou uma destruidora de lares?!?!?!? Mas respirei fundo, segurei a revolta e, depois de um tempo, voltei para o buffet. Educadamente – e com muito cuidado, comentei com a portuguesa traída:

- Escuta, tome cuidado ao falar dessa maneira com seus clientes, você me ofendeu e pode acabar os ofendendo também e...

- A resposta: OFENDENDO? OFENDENDO? VOCÊ QUE ME OFENDEU ao perguntar se eu era brasileira!!!!!!! E voltou a resmungar com os colegas de trabalho dela.

A essa altura do campeonato já tínhamos virado foco de atenção das poucas mesas ocupadas no pequeno restaurante do hotel. Meu marido foi me ajudar, encerrando a conversa com a maluca e a primeira coisa que fizemos ao sair de lá foi reclamar com a gerência e registrar o ocorrido.  Não sei se fez algum efeito, já que nunca tive uma resposta oficial do Marriot a respeito. Mas, se o hotel tiver tomado alguma providência, mais um motivo para ela ter trauma de nós, brasileiras – por perder o marido e o emprego!!!!

Ao voltar para NY e relatar o acontecido para um querido casal de amigos portugueses, eles me explicaram que apesar de absurda, a reação da cozinheira tem explicação, que inclusive teve divulgação internacional e virou capa da Times em 2003: muitas brasileiras migraram para Portugal para se prostituir e de fato os portugueses se apaixonavam por elas e largavam casamentos de anos. Isso causou um movimento das mulheres portuguesas (As Mulheres de Bragança) querendo expulsar as brasileiras de lá: http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A3es_de_Bragan%C3%A7a

Aparentemente, essa história está se repetindo em Boston nos dias de hoje, já que é mais fácil para as brasileiras que sofrem com o inglês se comunicarem com os portugueses...

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Comentarios

Coisa de idiota , pensar que nós Brasileiras vamos roubar maridos ! até parece que as Portuguesas sao santinha , amo portugal mais isso e uma falta de respeito e de vergonha na cara !!!

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Óbviamnente, que em muitas situações paga o justo pelo pecador, mas o que é facto é que em Portugal, muitas brasileiras vieram com o objectivo de uma vida melhor e a qualquer preço.

Deixo este link que esclarece o que se passa.

Não quero ser advogado do diago, mas tam,bém não pretendo ser defenssor dele...

Sou Português, vivo em Portugal, posso esclarecer e documentar melhor.

https://www.youtube.com/watch?v=SuXicOwPQ3Y

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Os brasileiros(as) sofrem preconceito em qualquer país do mundo, seja em Portugal, Espanha ou Japão. E sofrem devido ao seu caráter e por não saberem se comportar! Quantos blogs estrangeiros eu já li (até em alemão) que falam do mau caráter dos brasileiros no exterior. 

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Sou brasileira, fiz várias viagens a Portugal e agora faço meu PhD aqui em PT.

Infelizmente noto preconceito sim. Normalmente de pessoas do sexo feminino. Não entendo bem o por quê, pois sou respeitada pelos homens, mas algumas mulheres me tratam realmente mal. Não faço o tipo sensual, não visto roupas chamativas que desnudem o corpo, nem tenho comportamento lascivo, mas percebo que ao abrir a boca, meu sotaque me condena!

Como tive a oportunidade de viajar por muitos países em férias ou cursos, acredito que o mal está em as pessoas selecionarem por nacionalidades, no fundo todos somos iguais. Há anos atrás, quando viajávamos em grupos de brasileiros, achávamos as européias mais desenvolvidas no quesito sexual, mais liberais, etc. Não havia conotação má, apenas a constatação de uma realidade mais desenvolvida, mais consciente e longe dos preceitos paternos, mais independente. Nós (eu e minhas amigas no Brasil) achávamo-nos bairristas no quesito sexual, éramos virgens e medrosas e admirávamos a liberdade das européias e sua determinação de liberdade. Por esse motivo não entendo onde a coisa virou da forma que virou, acredito que eu tena perdido alguma parte do filme. Em 1980 fazer top less no Brasil era ousado e raro, mas normal nas praias européias. 

Achei estranho quando vi numa casa de banho feminina aqui em PT uma máquina que vendia preservativo, como se o sexo aqui em Portugal fosse corrente há 20 anos atrás, coisa que no Brasil, comigo e com as pessoas de meu convívio não era.

Quando fui à uma discoteca aqui, há uns 20 anos atrás e vi um concurso de t-shirt molhada achei o cúmulo da baixaria, eu havia ido lá para dançar e fiquei horrorizada com o ambiente pois temia que os rapazes mudassem o comportamento (eu não estava acostumada a esse tipo de evento nas discotecas que eu frequentava no Brasil). Na tal discoteca, a única brasileira era eu, pois naquela época não haviam tantos estrangeiros em Portugal como há hoje, portanto, todas as garotas que subiram ao palco e molharam suas t-shirts eram portuguesas!

E eu fiquei morrendo de vergonha de estar num evento desses pois meu objetivo era apenas dançar e ver como as pessoas daqui se vestiam (naquela época a moda levava 2 anos pra chegar ao Brasil e começava primeiro na Europa), se havia algum rapaz bonitinho, etc, coisas normais da minha faixa etária na época.

Em um ambiente hostil como o que noto aqui em Portugal em relação às brasileiras, procuro ter mais cuidado no que falo ou em meu comportamento a fim de evitar "maus entendidos" e, mesmo assim, algumas mulheres são extremamente agressivas comigo, gratuitamente, apenas por uma xenofobia estúpida. A maioria efetua o bullying social, ou seja, tenta me excluir do grupo com o objetivo que não tenham contacto comigo e não me conheçam, daí não sei o que comentam, só sei que sinto um certo distanciamento de pessoas após a ação dessas mulheres portuguesas, ou seja, quem normalmente conversava comigo, acaba se afastando e só conversa quando elas não estão presentes. É ridículo pois eu nunca sei quando estão pelos pés ou pela cabeça. às vezes dá vontade de passar e fingir que não conheço, pois é isso que fazem quando estão com as tais "chefias".

Penso que, assim que me comhecerem melhor tudo isso vai acabar, mas é uma pena! A xenofobia é uma arma destrutiva.

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Errado, pessoal, a fatia de brasileira(o)s que se dedicam ao comércio do sexo em Portugal nunca foi a maioria. Já existem pesquisas sobre isso. Aliás, o pessoal do comércio do sexo parece que nunca é maioria em lugar nenhum no mundo. O que acontece é o maior interesse da sociedade local por essa fatia e não pela fatia dita "normal". O interesse é maior, seja como consumidor ou projecão psíquica, que também é uma forma de consumo, daí o motivo de só se falar sobre isso. 

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Eu sou Português e, (embora tenha sido adoptado por uma família Irlandesa que vivia em Portugal quando eu era menino), sou Nacionalista por Portugal, (dentro da medida do bom-senso); especialmente porque passei toda a minha infância e também a maior parte da minha juventude nesta minha Amada Pátria.
Todavia, por força da actividade profissional que vinha exercendo até há relativamente pouco tempo, (Oficial da Marinha Mercante), eu vi-me forçado a viajar um bocado por todo o Mundo; e por este motivo tive ocasião de observar diferentes povos, diferentes culturas e diferentes atitudes. O que direi a seguir resulta da minha observação cuidadosa e imparcial, bem como de apurada reflexão e análise sobre tudo o que vivi e experimentei.
Ainda que isto me custe muito, eu vejo-me forçado a admitir no meu coração Lusitano e na minha mentalidade Universalista, que alguém tinha razão quando afirmou que:
A típica mulher Portuguesa é tão brutalmente ignorante como é a típica mulher dos E.U.A.
A típica mulher Portuguesa é tão rude e antipática como é a típica mulher Italiana.
A típica mulher Portuguesa é tão injustificadamente orgulhosa e cheia de soberbas como é a típica mulher Espanhola. A típica mulher Portuguesa é tão materialista e interesseira como é a típica mulher Indiana.                                   A típica mulher Portuguesa é tão falsa, mentirosa e manipuladora como é a típica mulher Brasileira.                        A típica mulher Portuguesa é tão neurótica e mentalmente desiquilibrada como é a típica mulher Israelita.               A típica mulher Portuguesa é tão desarranjada e desenxabida como é a típica mulher da Ex-União Soviética.              A típica mulher Portuguesa é tão frígida e assexuada como é a típica mulher Irlandesa.                                        A típica mulher Portuguesa é tão desinteressante e quase tão repelente como é a típica mulher aborígene da Austrália. 

E sobretudo, eu vejo-me absolutamente forçado a concordar com o Kid A e com os/as outros/as comentadores/as, e a ter que admitir que concordo com as suas afirmações sobre a existência na população, (tanto feminina como masculina), de Portugal de um complexo, (relativamente justificado), de inferioridade em relação a tudo o que vem do estrangeiro.

Como resultado deste facto, parece-me que a maioria da População de Portugal optou pela via que mais apela à sua enorme preguiça mental, (e que nem sequer requer que ninguém fira o seu orgulho ao admitir que tem um problema de modo a poder resolvê-lo), de lidar com o desconforto que sente na sua "vidinha provinciana" que consiste em copiar os piores exemplos que lhes chegam de fora no seu formato, sem sequer se dar ao trabalho de analisar os motivos e contextos que levaram à criação desse formato, ou de os analisar na sua essência.
Portugal é um país ainda profundamente afectado pela mentalidade tacanha do Catolicismo Fanático -(A Inquisição só acabou em 1820!)- também pelos restos de uma Monarquia quase tirana - (Que apenas terminou em 1910!)- e pela longa ditadura que promovia uma lentíssima evolução mental -(Derrubada no ano recente de 1974!). Todos estes factores fazem com que as pessoas ainda "esperem" que os homens se certifiquem de que as suas Mães/Irmãs/Filhas não sejam motivos de "escândalo e desonra", ou seja, que elas não se sintam capazes de admitirem que são iguais a qualquer homem no que toca a deveres, direitos, obrigações e sobretudo ao direito de receber e de obter prazer sexual. Esta é (um)a (das) causa(s) que levam a População Portuguesa a sentir-se confortável na sua preguiça de pensar e na sua, (injustamente orgulhosa), falta de vontade de mudar.
Juntemos a estas coisas o facto de que no ano de 1974 Portugal "ofereceu de mão beijada" aos E.U.A. e à Ex-União Soviética, (enquanto patrocinadores declarados dos rebeldes nas Ex-Colónias), um Império que cobria 20% do Planeta Terra, e já saberemos a razão porque a População Portuguesa se sente mais fraca, menos capaz e menos digna do a População de qualquer Nação Estrangeira!

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